Lição
Aprendíamos a amar,
aprendíamos a morrer
É no verão que se
aprende a poesia,
disseste; e em cada um
dos verões que a vida
nos traz, em que se
aprende e desaprende
o mais certo, entre o
amor e a morte,
que cada um tem que
saber. No quintal,
onde já não existe a
romãzeira da infância,
ouvindo o vento que
sobe da terra, trazendo
um antigo furor de
ervas e raízes; ou
no largo aberto para o
tempo que foi,
e esse que há-de vir.
Abro contigo o livro
branco de todos os
lugares e de todos
os nomes: o livro da
poesia, aprendida
com o desfolhar dos
verões, enquanto
as mães se despedem da
vida, e uma baça
adolescência se
confunde com a névoa
de agosto. Leio
devagar, como se
interpretasse, e um
fogo embarcado
nos olhos enfunasse a
mais obscura
das imaginações: o
verso, aprendido
no leito da memória,
no verão em
que se aprende a
poesia, disseste.
Tributo de Nuno Júdice
a Eugénio de Andrade
Comentários
Enviar um comentário